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Igrejas que parecem boates

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Nestes últimos dias a mídia noticiou que uma certa igreja parecia com uma boate. Ao ler os artigos relacionados a isso, inicialmente fiquei refletindo se verdadeiramente isso iria de encontro com os ensinos de Jesus e as escrituras sagradas. Será que Jesus estava se importando da forma que esta igreja estava sendo conhecida?

Não é novidade que as igrejas hoje, buscam alcançar mais pessoas utilizando-se da contextualização social e facilitação do entender bíblico. Se você ainda não sabe, os locais mais difíceis de pregar a Cristo e plantar uma igreja são em lugares que as pessoas tem mais poder aquisitivo ("a zona sul").

Há alguns anos atrás, como assembleiano tradicional (que não sou mais...só um pouquinho rs), criticava veementemente práticas como: utilizar jogos de luzes na igreja, exposição da palavra de forma moderna, tipos de roupas e cortes de cabelo, som pesado e etc. Mas, chegou o tempo que o Espírito Santo abriu os meus olhos e me levou a um texto bem conhecido das escrituras e me fez refletir:

"Portanto, pelos seus frutos os conhecereis." - Mt. 7.20.

Ou seja, a igreja local, eu e você, apresentados como árvores no texto,  somos conhecidos pelos frutos  nós geramos. Se geramos frutos bons: vidas ao arrependimento, pessoas firme na fé, perdão e etc, glorificamos a Deus. Se geramos frutos ruins, seremos cortados e lançados ao fogo.
Diante disso, nós, damos mais ênfase a utilização de um jogo de luz do que o resultado final: vidas entregues a Cristo.

Prezado leitor, sinceramente, não podemos condenar ou dizer que uma igreja que se utiliza desses objetos (sim, objetos), para chamar atenção de um público é apóstata e vai contra as escrituras. É bem verdade que Jesus não utilizava de nenhuma parafernália para apregoar o reino dos céus, mas utilizava-se de uma forma objetiva alcançar um tipo de público através das suas PARÁBOLAS, que para a época e o contexto era de uma forma estranha de falar de Deus.

Antes de criticar qualquer igreja, precisamos analisar e ver os frutos que elas estão gerando. 
Não estou dizendo aqui que o culto a Deus deve ser de qualquer forma, utilizando-se de qualquer tipo de objetos (como algumas igrejas apóstatas já fazem). Não é isso. Devemos entender que tudo deve servir para a glória de Deus e edificação do corpo de Cristo. O que infringir este princípio, está fora da palavra. 

Dentre os jogos de luzes, o som alto e a animação, há corações sedentos pela palavra de Deus, quebrantados e contritos, pecadores, que ao final de um culto desses, dezenas de pessoas entregam a sua vida a Cristo. Pois, há maior alegria no céu por um pecador que se arrepende (Lc. 15.10).


O culto ao homem e a fragilidade da igreja brasileira.

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Não é novidade que a igreja brasileira está fortemente enraizada na prática da idolatria, Alguns podem dizer que não! Porém, é só irmos na maioria dos cultos e percebemos que Cristo não é o centro da reunião. A igreja não fez para si estátuas e nem imagens. Porém, intrínsecos no egocentrismo, fazem o culto a Deus se transformar no culto ao homem. É só ouvir as canções que são 'sucesso' nas rádios evangélicas e que são cantadas nos púlpitos das igrejas. Músicas que não expressam mais a glória e a santidade de Deus. Ao invés disso, visam massagear o ego dos ouvintes, provocando emocionalismos passageiros, extravagâncias e movimentos 'meio que' suspeitos em nome do Espírito Santo.

Este tipo de culto, com louvores, principalmente louvores (louvores?) ou músicas, voltadas ao bem estar do crente, trazendo mensagens de vitória, de sabor de mel, de ver o seu inimigo ser destruído, dupla honra e etc, está deixando a igreja doente. Frágil diante das astutas ciladas do Diabo. Eu fico chocado quando vou ao um culto e vejo os tais dos "levitas" (que de levitas não tem nada), quando tem a oportunidade de "adorar ao Senhor", de convidar a igreja a cultuar a majestade de Deus, desprezam-na quando começam a cantar letras que não glorificam a majestade de Deus, mas serve para alimentar o ego da igreja e manifestar algumas euforias.

Ora, quando vamos ao templo, nos reunir com a comunidade, não é pra cultuar a Deus? E porque cultuamos ao homem? E porque ficamos tão alegres em ouvir baboseiras na hora do culto? Porque não aproveitar estes instantes para nos derramar diante de Deus e a sua presença?

Há uma passagem bíblica que amo por demais que nos ensina algo maravilho:

"No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e a cauda do seu manto enchia o templo.
Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam.
E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.
E os umbrais das portas se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça."

Isaías 6:1-4

Costumo dizer que nós perdemos feio para os anjos. Eles sim, estão sempre adorando e exaltando a natureza santa de Deus. Enquanto nós, muitas das vezes, temos a oportunidade de adorá-lo, mas preferimos adorar a nós mesmos.
Precisamos acabar com o antropocentrismo nos cultos, remover as canções que elevam o nosso ego e os nossos sentimentos. Abaixo as canções que dizem "eu", "ti" e "você" objetivando nos acalentar de forma que deixa o real objetivo do culto a Deus.

Voltemos as escrituras. Observemos os cânticos que há nela. Os cânticos que já foram escritos inspirados pelo Espírito Santo. Para que tudo concorra para a glória de Deus.

A Quem Realmente Estamos Adorando?

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Nestes últimos dias observamos a tão grande apostasia que tem arrebatado diversos cristãos. Estão deixando as escrituras de lado! Estamos vivendo um tempo que muitos estão preocupados em ganhar dinheiro e viver a sua vida do seu jeito e de sua vontade ao invés de estarem prontos a adorar ao Senhor, meditar em suas palavras e viver um cristianismo sério e responsável embasado nas escrituras.

Fiquei chocado, perplexo com o que acabei de ver e ouvir. Chegou ao meu conhecimento que um determinado cantor gospel foi “apresentar-se” em uma igreja evangélica no estado de Goiás, logo, vale salientar que os shows deste cantor/compositor muito famoso são marcados por muita euforia, agitação, pulos e outras animações. Contudo, o pastor desta distinta igreja deu uma ordem no meio da apresentação. Um pastor totalmente educado e respeitando a todos que estavam no local. Este pediu encarecidamente que o público não ficasse em pé ou pulasse enquanto o cantor gospel cantasse. Ora, é possível entender que uma ordem dada por um pastor, o anjo da igreja (Ap. 2.12), sacerdote de um povo, seria normalmente acatada, mesmo que não fosse do gosto das ovelhas. 

Porém, não foi isto que aconteceu. O singer gospel continuou a sua “apresentação” (porque não é um culto a Deus), mas algumas pessoas continuaram a “bagunçar a apresentação”, fazendo com que o pastor finalmente cancelasse o evento. Alguns indignados começaram a vaiar o pastor. Isto mesmo, vaiar o pastor. Pelo amor de Deus, aonde vamos parar com tanta má educação e falta de temor e respeito para com aqueles que Deus levanta para liderar o seu povo?!

Queridos, nesta triste realidade em que vivemos desejo aqui tecer alguns comentários sobre este fato tão polêmico e propício para que possamos observar o que está acontecendo atualmente na igreja brasileira.

1º O pastor sabia qual era o estilo de música e de apresentação que o cantor trabalha: Ele já deveria saber que aconteceria tal euforia por parte das pessoas. Se você escuta uma música agitada, é claro que dá vontade de pular, saltar e gritar. Se você não sente isso é porque você está morto. E imagine em uma igreja com milhares de pessoas aglomeradas em um mesmo lugar. Sou contra em trazer pessoas que estão na mira e no centro da “fama” para cultos nas igrejas brasileiras. Isto só levará a sua igreja, querido pastor e líder, muita gente que não irão adorar a Deus, mas sim, para ver, tirar fotos e pegar autógrafos das estrelas gospel.

2º Uma ordem dada por um pastor deve ser sempre obedecida, mesmo que seja contrária ao nosso comportamento e nossa ideia: Ora, o pastor é o responsável pela nossa saúde e edificação espiritual. A bíblia relata: “Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros (I Sm. 15.22).” Se não conseguimos nos submeter a um líder escolhido por Deus para cuidar de suas ovelhas, como poderemos obedecer outras pessoas? Até Deus, ficaria difícil de acatar as suas ordens. É preciso nos submetermos aos líderes que estão acima de nós. Porém, vivemos dias em que não se tem mais respeito pelas autoridades eclesiásticas. Logo, tal desobediência é pecado!

3º Estamos adorando a pessoas e não ao verdadeiro Deus: Eu como cristão, devo entender que o culto a Deus no templo, é para Deus e somente para ele. Não comentei que não concordo em trazer pessoas com fama do mundo “gospel” para as igrejas, pois o povo não sabe diferenciar as coisas. Acabam pecando, adorando mais a criatura do que o criador (Ap. 4.11). Devemos tirar da nossa mentalidade que tanto faz ter ou não ter um cantor ou um pregador de renome em nossos cultos, congressos e eventos em gerais. Devemos está preocupado se o Espírito Santo estará presente em nossas reuniões.

4º O que me choca ao ver o vídeo do acontecido é: perceber que muitos ditos “crentes” estão nem aí para o sacerdócio da igreja, o temor ao santo templo (onde Deus habita) e as outras pessoas que desejavam cultuar a Deus através das canções entoadas pelo cantor. O cantor não teve também nenhuma culpa. O maior problema é que o povo que se diz crente, mas não tem educação e temor às coisas de Deus. Querido líder, se você deseja levar um cantor ou pregador famoso aguente as consequências. Ore bastante, ensine ao povo a temer a Deus e escolha uma pessoa com boa índole que irá trazer conteúdo, boa palavra e hinos que glorifiquem a Deus.

Portanto queridos leitores, a realidade da igreja brasileira é calamitosa. A falta de examinar as escrituras tem distanciado o povo da verdadeira vontade de Deus para as suas vidas. Com isso, se deixam levar pelos pragmatismos e intolerância aos valores cristãos. A minha pergunta é: A quem, de fato, estamos adorando?
Oremos para que um avivamento genuíno chegue depressa a igreja brasileira.

Maranata!

A Politicagem Assembleiana e a Falta de Sensibilidade Espiritual.

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Chegamos a mais um ano eleições para presidente da CGAD. A escolha do novo presidente da convenção geral irá permear nossos e-mails, os sites “gospéis” e conversas por um bom tempo. Isto porque a grande politicagem já é marca registrada deste evento. Contando com duas chapas, esta eleição promete ser acirrada e muito competitiva, como sempre é. Porém, infelizmente este evento traz consigo alguns males para os membros assembleianos. Pois os templos são invadidos por cabos eleitorais e muitas ações políticas que deixam de glorificar a Deus. Já não bastasse os principais pastores e líderes da maior denominação pentecostal brasileira apoiarem veementemente candidatos nas eleições do ano passado, agora, irão realizar os mesmos atos políticos para elegerem o seu candidato preferido.

Não quero me delongar muito neste post, pois o motivo não é polemizar, mas sim, conscientizar os líderes e membros da Assembleia de Deus a realizarem uma eleição justa, transparente e guiada pelo Espírito Santo de Deus. Haja vista que isto não está acontecendo. É triste ver pastores se digladiando em prol de algo que faz parecer tão mesquinho e medíocre. Ao contrário de se unirem para orar e realizarem um grande projeto de evangelização em toda a nação brasileira. Deixo claro que não discordo das eleições convencionais e nem do papel da convecção geral em meio à denominação. Até porque ela exerce uma grande importância para um bom andamento da denominação, e isto é valioso. Mas também não acredito que é essencial e primordial para a igreja ao ponto de realizar algum tipo orientação e crescimento espiritual. Ora, fui criança, adolescente e hoje sou um jovem, com raízes assembleias, mas nunca a CGADB influenciou o meu caráter e a minha vida espiritual, em ambos os sentidos. Se sirvo a Deus há tantos anos não foi porque a CGADB promoveu à minha pessoa qualquer tipo de respaldo, mas sim, Deus, que é infinito e misericórdia nos sustentou até aqui.

O maior problema é este: alguns estão mais preocupados em adquirir títulos aqui na terra do resgatar vidas que estão padecendo por vários motivos dentro e fora da igreja. É certo que em uma campanha eleitoral gaste milhares e milhares de reais. Porém, ao invés de estarem utilizando este dinheiro para o crescimento da evangelização nacional e transcultural, estes valores estão sendo usados de forma equivocada e fora do maior proposito que é ganhar vidas para o reino de Deus.

Lembro-me muito bem que, quando Deus desejava escolher uma pessoa para torna-lo líder, ele mesmo ou um profeta anunciava a sua consagração para a determinada tarefa que Deus havia proposto. E em tempos passados, recordo-me que os líderes assembleias eram escolhidos através de muita oração e jejum, pois o Espírito Santo os concedia entendimento e sabedoria para escolher tal pessoa a exercer um cargo ou ministério na igreja. Ao exemplo de Davi, os profetas Samuel e Jeremias, Moisés e outros homens que Deus os levantou para guiar o seu povo. Será que está faltando sensibilidade espiritual nos líderes assembleianos para escolherem um líder maior ou é mais fácil colocar uma pessoa no poder através de seus próprios interesses.

Logo, que o Senhor Deus, durante este processo eleitoral, proteja a igreja brasileira de escândalos, dissensões e esfriamento espiritual. E que o pastor eleito presidente da CGADB seja guiado e vocacionado por Deus para exercer as suas funções com sucesso.
“Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória.” 1 Pedro 5:2-4

Edcleyton Souza

Porque Não Concordo com Pastores que se Candidatam a Cargos Públicos.

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Em todos os anos eleitorais, milhares de cidadãos brasileiros candidatam-se para concorrer a uma das muitas vagas de cargo público. Pra muita gente tornou-se até sonho ser político. Criou-se uma cultura desejar está inserido na administração pública. A levar o nome de vereador, prefeito, deputado, senador e presidente. Porém, o cerne, o objetivo principal da prática política não os interessa, mas apenas a ânsia de ganhar um ótimo salário e várias regalias como um representante da sociedade.

Embora, dentre estes muitos brasileiros que concorrem a um cargo deste tipo, há um grupo, que por sua vez é a minoria, mas já está se fortalecendo, e pelo visto serão um número bem representativo, estão buscando a carreira governamental.

De um tempo pra cá, pastores evangélicos estão inserindo-se na vida pública. Não é pequeno o número de clérigos que ultimamente tem ingressado na carreira política em “nome de Deus”. 
Lembra-se da “teocracia”? Ideia de um sistema de governo em que as ações políticas, jurídicas e policiais são submetidas às normas de alguma religião. Ou seja, muitos pastores estão usando este tipo de argumento, para que possam viver uma vocação dupla. Já deixo bem claro que, não discordo de um governo dirigido por um homem guiado por Deus (verdadeiramente guiado por Deus). Porém, o que é errado é um pastor evangélico, dizer que foi Deus quem o mandou e o escolheu para exercer tais funções públicas.

Esclareço que, se Deus vocacionou uma pessoa para exercer o pastorado de uma igreja, deve se fazer com total esmero, sacrifício e de boa vontade, sabendo que assim faz a vontade daquele quem o alistou.

O apóstolo Paulo escreve em uma de suas cartas e explicita muito bem para estes tipos de pessoas que desejam, muitas vezes abandonar o ministério pastoral, ou conciliá-los a política: “Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja”. (I Tm. 3.1).


O que me entristece é saber que pastores estão trocando a sua chamada eclesiástica pela política. E neste país varonil, a política é suja, desonesta e corrupta. Vivemos em um país com tantas leis, mas com tamanha desigualdade social.

Alguns dizem: “Quero exercer o meu direito de cidadão, e eu como pastor, entendedor da palavra de Deus e ungido, vou fazer a diferença no congresso, na presidência ou na câmara”. Embora, tenham este pensamento, eu entendo que uma pessoa que é alistada por Deus não se embaraça com as coisas desta vida (2 Tm. 2.4).

Lembro-me de uma frase que li de Nelson Mandela, líder do apartheid, que dizia assim: “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.
Eu quero usar melhor estas palavras, apenas substituindo a palavra educação (sabendo também que a educação tem um grande poder transformador). Ao invés da educação, coloca “evangelho”. A frase ficaria assim: “O evangelho é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”.

Querido pastor, é através da sua pregação que você poderá mudar o rumo do mundo!
Pastor é pra cuidar das ovelhas. Pastor é para pregar o evangelho. Pastor é para aconselhar, doutrinar e repreender. Lugar de pastor é na igreja e não em um posto político.

Conheço diversos pastores que deixaram o seu chamado ministerial para caminhar nas estradas tortas da politicagem. Foram se afastando de tal maneira que desistiram dos planos de Deus para a sua vida e a vida da igreja. Pois, quando a igreja perde um pastor para a política, a igreja sofre. E este não é o desejo de Deus. Para toda escolha há uma consequência, seja ela boa ou ruim. Cuidado na escolha que você vai tomar.

Imagino que estes homens durante a sua juventude, ou até a sua meninice, pediam a Deus, buscavam a Deus a vocação pastoral. Esforçaram-se para isso, estudaram para isso. Entretanto, a ganância se tornou mais forte, a cegueira das regalias desoriento-os, e desta maneira o que era para ser pastor, agora está, ao invés de estar pregando o evangelho, está distribuindo filipetas, panfletos e fazendo comícios para atrair votos.

Você pode me perguntar: “Ah, eu posso conciliar o meu pastorado e minha carreira política”. Eu explico: Você pode até tentar, mas não irá conseguir. Ambas funções exigem muito tempo da nossa vida. Ou eu faço uma coisa, ou não faço. Eu sendo pastor, como irei atender as minhas ovelhas, ganhar mais ovelhas, irei ter tempo para estudar as escrituras e bons livros, cuidar dos serviços e ordenanças da igreja e etc...
E eu como político, como irei atrair mais votos (isto em campanha), viajar para outros lugares para resolver problemáticas, como irei organizar a minha carreira e dividir o tempo para o êxito da carreira política?

Querido pastor, não troque os dons e a vocação que Deus lhe concedeu por causa de um desejo improdutivo e desnecessário. Saiba entender a vontade de Deus para a sua vida. Saiba dar valor aquilo que Deus entregou em suas mãos. Através da sua vida, Deus quer levantar uma igreja forte, unida e santa, para impactar este mundo e provocar mudanças na sociedade. Se Deus te chamou para ser pastor, faça isto, dedique-se, pregue, ganhe almas, pois assim você irá alegrar o coração de Deus.

Fontes utilizadas:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teocracia

Você Conhece o Pastor Hitler?

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Todos nós conhecemos a figura memorável e infeliz do grande ditador alemão da 2ª guerra mundial. Hitler, foi e até hoje é um dos seres mais aterrorizantes da história e que provoca ira, desgosto e tristeza na sociedade. A quem diga o povo judeu. Eles que sentiram na pele a ganância deste homem por uma raça ariana e perfeita, e por causa disto um grande preço foi pago. Este ditador ordenou o seu ódio contra os judeus e aqueles que não fossem dignos de viverem em um mundo comandado por ele. O desejo de Hitler era extinguir toda e qualquer pessoa que não se encaixasse nos padrões que ele havia proposto. Houve sofrimento e mortes. Alguns ainda vivem em suas lembranças, através da história, as marcas da crueldade deste homem e ainda hoje, muitas raças, tribos e nações estão marcados com este episódio antigo.

Nesta perspectiva, é interessante analisar algumas condutas de alguns distintos pastores e líderes que através delas vem envergonhado aquilo que verdadeiramente lhes foi proposto. O tema que escolhi para este artigo é bastante apelativo, na vontade de chamar a sua atenção. Logo, isto nos levará a atender sobre aquilo que está acontecendo na igreja do Senhor Jesus neste tempo. 

Já conheci e convivi com homens que se intitulavam pastores e líderes que praticavam certos tipos de crueldades sobre as suas ovelhas. Embora, alguns destes ungidos por Deus, com chamada ministerial e vocação, porém não conseguiam lidar com a autoridade a eles impostas. Deus concedeu e concede autoridade aos pastores para ajudar, aconselhar, amar e instruir cada uma de suas ovelhas (At. 20.28 / I Ts. 5.12). Infelizmente, tais homens obtém o chamado de Deus em sua vida, mas esquecem de zelar pela sã doutrina e cuidado de seus membros.

É bem verdade que os deveres de um pastor essencialmente são: ensinar e pastorear as ovelhas; proteger a igreja de falsos ensinos e supervisionar os trabalhos da igreja. Entretanto, há alguns que além dos deveres que Cristo os imputou através das escrituras sagradas, não conseguem lidar com a autoridade proposta, assim fazendo ações que não agradam a Deus e não ajudam a fortalecer as suas ovelhas.
Alguns usam desta autoridade para obrigar os membros da sua igreja a realizarem feitos que não estão nas escrituras sagrada. 

Legalismo é a palavra que podemos utilizar para definirmos aquilo que está acontecendo. Segundo o teólogo Moises Almeida, legalismo é todo o sistema, regras, expectativas ou regulamentos que condiciona a salvação ao esforço humano de agradar a Deus. Ou seja, tem pastor por aí pensando que legalismo, regras incontudentes a palavra de Deus servem para santificar a igreja e assim salvá-la. 

Não é de hoje que vemos pastores incumbindo e obrigando a sua membresia a ações extremistas e fanáticas. Ensinos que vão muito além das escrituras. Isto vem provocando diversos afastamentos por parte dos membros, tanto afastamento da igreja como de Deus. E quando uma pessoa se distancia de ambos, aproxima-se cada vez mais do pecado. 

O pastor Hitler utiliza a busca da santidade como o principal objetivo para tudo isto. Estes líderes, impõem tantas regras, tantos regulamentos que acabam distanciando as pessoas da comunhão plena para com Deus, entristecendo-as e fazendo com que elas venham se sentir desprezíveis. Mechem tanto no psicológico e no espiritual de certas pessoas que as fazem pensar que são mais santas do que outras pessoas devido a alguma vestimenta. Jesus nunca nos ensinou isto.

É verdade que com as nossas roupas nós também adoramos ao Senhor. Existem  tipos de roupa que não agradam a Deus e não produz bom testemunho de cristão para o mundo. Mas o foco também não é este. Só para concluir este pensamento, lembro-me que vivenciei tempos que eu só poderia pregar se fosse de terno e de gravata. Hoje, graças a Deus, percebi que isto é apenas regras humanos ou de uma denominação. Paletó e gravata não fala, não canta e nem prega. 

Outra característica de um pastor Hitler busca em seus liderados a excelência. Quer está rodeado de santarrões. Pessoas quem pensam que tudo é pecado, que não se pode fazer mais nada. Quem me conhece sabe, uma das coisas que não gosto é que envergonhe o evangelho. Muitos destes extremistas, santarrões tem feito algumas coisas que revelam o amor de Cristo como um amor carrasco. Santidade sim, legalismo não! Quem santifica é a palavra de Deus.

Um pastor Hitler busca pessoas que fazem tudo o que vos manda. De nenhuma maneira estou ensinando a não obedecer ao seu pastor. O bom pastor, aquele que zela pelas almas é digno de toda a obediência, pois foi Deus quem o chamou e o capacitou. É claro que, muitos pastores que estão liderando uma determinada igreja não estão se tocando na forma que estão utilizando a autoridade divina que está imposta neles. Mas um pastor Hitler visa e se agrada naquele que o serve, mas ele não quer servir.

Logo, o escritor aos Hebreus no capítulo 13 e versículo 17 exorta-nos:

"Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil."

O pastor é responsável por cada vida que o Espírito Santo insere na igreja. Ele irá prestar contas a Deus no grande dia. 

Com isso, uma das características mais peculiares de um pastor Hitler é ensinar uma santidade absurda (como já vimos acima) que não está proposta na bíblia através de usos e costumes (roupas, estilos de cabelo e acessórios) de uma denominação do que a verdadeira exposição bíblica. A bíblia está cheia de ensinamentos. Como nós devemos andar, vestir, falar e se portar. Ela não precisa de complemento. É a palavra de Deus que santifica o homem , é a palavra que liberta e restaura o homem pecador (Jo. 17.17).
As pessoas não precisam estar debaixo de uma autoridade pastoral falha que não visa a glorificação do eterno e nem a expansão do reino de Deus.

Certa vez ouvi um pastor afirmar que aqueles que não estavam satisfeitos com a sua "administração" ou "gestão" poderia muito bem sair de sua igreja. Já observei pastores colocarem tanto jugo na vida de seus membros que os mesmos não aguentaram e saíram da igreja. Irmãos, a palavra de Deus nos informa que nos últimos dias irão aparecer em nosso meio charlatões, enganadores. Muitos que vem no nome de Deus, mas são lobos, inimigos da noiva de Cristo. Não podemos nos enganar. 

Contudo, um verdadeiro pastor deve:

  • Amar a sua igreja e seus membros;
  • Ser humilde e quebrantado;
  • Zelar pelo templo;
  • Cuidar e exorta os cristãos;
  • Evangelizar os perdidos;
  • Realizar missões e ações sociais;
  • Focar no bem estar da igreja (edificação e adoração a Deus);
  • Defender a fé cristã;
  • Orar para que Deus preserve uma igreja saudável;
  • Não pôr jugo pesado em seus membros, pois Jesus veio para aliviá-los.
Se o seu pastor é um Hitler, então te deixo dois conselhos:

  1. Ore por ele e o suporte (Ef. 4.2). Peça a Deus que venha quebrantá-lo e fazê-lo um bom pastor. Não como você quer e deseja, mas como Deus quer.
  2. Converse com seu pastor. Informe a ele o que está acontecendo com a sua gestão na sua igreja.
Com certeza ele irá lhe ouvir e pensar sobre o assunto.


Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver. Hebreus 13:7

Cristão Deve Ouvir Música do Mundo?

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Por Maurício Zágari


Claro que não! Simples e objetivamente: um cristão não deve ouvir música do mundo. “Nossa, Zágari, agora você foi radical, pegou pesado!”, você poderia dizer. Calma. Antes que você, que discorda do que escrevi, me crucifique, é importante que você entenda exatamente o que estou querendo dizer. É que há um ponto nevrálgico nessa discussão: temos de entender precisamente o que é “música do mundo” – que não necessariamente é o que se costuma chamar por aí de “música do mundo”. Pois música “secular” é uma coisa, música “do mundo” pode ser outra completamente diferente. E aí nós temos uma questão interessante a debater. Que, para solucionar, temos que pensar sempre dentro da Bíblia.

(Só um alerta, em amor: essa questão não se define em 3 ou 4 parágrafos. Por isso, este será um post longo e, se você estiver sem tempo de ler ou não tiver paciência de ler textos compridos, sugiro que nem vá adiante. Mas, se quiser prosseguir, vamos juntos, passo a passo.)

1. O que a Bíblia chama de “mundo”?
Primeiro temos que compreender o que a Biblia chama de “mundo”. No contexto das Escrituras, “mundo” (do grego kosmos) é todo um sistema de valores e práticas que se opõem ao Evangelho, ou seja, àquilo que Jesus ensinou. Ao Reino de Deus. Às boas-novas de salvação. Logo, tudo o que contraria os genuínos ensinamentos cristãos, a ética cristã, a moral cristã, os conceitos bíblicos é… do mundo. E, nesse sentido, não é “mundo” com significado de “universo” ou “planeta terra”, mas no sentido de tudo aquilo que, em resumo, levaria Jesus a fazer careta.

2. Os cristãos não devem se misturar com o que é do mundo
Tendo entendido o que é “mundo” segundo a Biblia, vamos ao segundo passo: provar biblicamente que Jesus e o que é do mundo não se misturam. E, logo, que o cristão e o que é do mundo não se misturam. Para isso, vamos à Palavra de Deus:

1  João 2:15 – “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele”.

João 1:10 – “O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu”.

1  Jo 4.4,5 – “Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo. Eles procedem do mundo; por essa razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve”.

João 3:17 – “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele”.

João 15:19 – “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia”.

Há muitas outras passagens, como a famosa Jo 3.16, mas, para não tornar este texto demasiadamente enfadonho, acredito que essas já são suficientes para demonstrar essa realidade: se você é cristão, se você é sal da terra e luz do… mundo… não deve se misturar ao que vai contra Cristo e aos ensinamentos de Cristo.
E tudo o que vai contra Cristo… É mundo.
Até aqui tudo bem? Ficou claro que, segundo a Biblia, o cristão não deve se misturar com valores anticristãos, ou seja, mundanos? Ok então, vamos adiante.

3. O que é música “do mundo”?
Seguimos para o terceiro e fundamental passo: dedinir o que exatamente é “música do mundo” – aquela que, pelo que já vimos pelos dois passos anteriores, tem de ser evitada pelo cristão. “Música do mundo” seria, então,  aquela que contraria o Evangelho, que se opõe aos ensinos de Jesus, que leva aos ouvidos (e, em seguida, ao cérebro e, como consequência, ao coração e à alma) mensagens que batem de frente com a ética de Cristo, com as boas-novas do Reino de Deus. Então, o conceito de “música do mundo” está ligado diretamente a aquilo que determinada canção diz: seus valores, sua filosofia, seus ensinamentos.
Portanto, biblicamente, uma música ser ou não do mundo não tem nada a ver com estilo musical, instrumentos utilizados, melodia, harmonia ou ritmo. Tem a ver com MENSAGEM. Com o que ela diz. Com o que ela defende. Com o que ela ensina.
Tendo compreendido isso, vamos falar a respeito de alguns mitos e algumas verdades sobre música “do mundo” e música “cristã”:

Fato 1) A Bíblia não determina cantarmos ou ouvirmos apenas músicas religiosas
Embora todos amemos e devamos louvar, elogiar o Senhor em canções e reconhecer quem Ele é e faz, a Bíblia não afirma diretamente em nenhuma passagem que o cristão só pode ouvir músicas que falem de Deus ou que sejam louvores. Pelo contrário, uma leitura atenta dos livros de Salmos, Cântico dos Canticos e até mesmo Jó, por exemplo, demonstram que a exaltação da criação de Deus, do amor, de sentimentos belos são algo lícito ao povo de Deus. O Salmo 150 infere que louvar deve ser uma explosão de amor pelo Criador. Mas não há proibição bíblica de cantar o amor de um homem pela mulher que ama, por exemplo. Assim, não é antibíblico (logo, não é pecado) eu escrever uma poesia de amor para minha amada ou mesmo uma que exalte as belezas da cidade onde vivo e em seguida musicar esses versos. Poderia, por exemplo, cantar…



Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar

Em cada despedida eu vou te amar

Desesperadamente, eu sei que vou te amar

 
ou

Cidade maravilhosa,
Cheia de encantos mil!

Cidade maravilhosa,

Coração do meu Brasil!

Jardim florido de amor e saudade,

Terra que a todos seduz,

Que Deus te cubra de felicidade,

Ninho de sonho e de luz.


…e não estaria cometendo absolutamente nenhum pecado. Simplesmente porque nada do que a letra dessas músicas diz contraria o Evangelho, se opõe aos ensinos de Jesus, leva ao coração mensagens que batem de frente com a ética de Cristo, com as boas-novas do Reino de Deus. 

Então a conclusao lógica e bíblica é que músicas de amor, canções que exaltam belezas naturais ou até mesmo que, sei lá, contem uma história sobre dois capiaus em visita a uma fazenda – e muitos outros tipos de músicas seculares que não necessariamente são cantadas em igrejas, gravadas por cantores supostamente cristãos ou que sejam tocadas em rádios ditas “evangélicas” – são “música do mundo”. Simplesmente porque não se encaixam na definição bíblica de “mundo”. 

Não contrariam a Bíblia. Não se opõem a Cristo. Não ensinam nada diferente do que está nas Sagradas Escrituras.
São músicas seculares? Sim. São músicas que não necessariamente falam de Deus ou de seus feitos? São. Mas são músicas que contrariam Cristo ou o Evangelho? Não. Então, evidentemente não são louvores ou músicas sacras, mas também não são músicas “do mundo”, ou seja, músicas pecaminosas.

Fato 2) Muitas músicas seculares são sim “do mundo” e devemos evitá-las
Aí você pode estar pensando “Uhu! Então liberou geral! Posso ouvir o que quiser!”. Nananinanão. Não é bem assim. Biblicamente você pode ouvir uma música que não necessariamente fale de Deus, mas você SEMPRE tem que prestar atenção na letra das músicas, na MENSAGEM que elas transmitem. Se essas músicas apregoam valores antibíblicos, porque aí sim elas são músicas do mundo. E aqui vou dar exemplos práticos. Em pleno Rock in Rio, li no twitter uma cristã dizendo que estava triste porque não poderia assistir ao show dos Titãs. Por isso, decidi tomar esse grupo como exemplo. Bem, os Titãs têm músicas cujas mensagens são claramente antibíblicas. E, por definição, são “música do mundo”. Por exemplo, comecemos com a música mais óbvia, chamada Igreja. Leia com atenção a letra, com especial atenção ao que está em negrito:


Eu não gosto de padre
Eu não gosto de madre

Eu não gosto de frei.

Eu não gosto de bispo

Eu não gosto de Cristo

Eu não digo amém.

Eu não monto presépio

Eu não gosto do vigário

Nem da missa das seis.

Não! Não!

Eu não gosto do terço

Eu não gosto do berço

De Jesus de Belém.

Eu não gosto do papa

Eu não creio na graça

Do milagre de Deus.

Eu não gosto da igreja

Eu não entro na igreja

Não tenho religião.

Não!

Não! Não gosto! Eu não gosto!

Não! Não gosto! Eu não gosto!


Agora… você, que é cristão, me responda sinceramente: você cantaria essa música achando que “não tem nada a ver”? Se alegrando, sorrindo e pulando? Isso é algo que uma pessoa lavada e redimida pelo sangue daquele que foi à Cruz pelos pecadores sai cantando feliz da vida? Haveria anjos ao redor se alegrando? Você responda.
Vamos a outra: Homem Primata. Selecionei um trecho:

Eu aprendi
A vida é um jogo

Cada um por si

E Deus contra todos

Você vai morrer

E não vai pro céu

É bom aprender

A vida é cruel…


E aí, crente? Cantamos e nos alegramos cantando isso? “Deus contra todos”? Por favor, apenas pare um minuto para pensar no que você está cantando: “Deus contra todos“! Como assim?!
Para completar o pacote, só mais uma, da qual extraio um trecho: Epitáfio

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído

O acaso vai me proteger

Enquanto eu andar…


O acaso? Mas se a Bíblia diz que há um Deus que controla todas as coisas, como seria possível que “o acaso” protegesse alguém? Biblicamente, “acaso” é um conceito que não existe. Logo, Epitáfio traz uma mensagem antibíblica. E, logo, lamento informar, é música do mundo.

Usei os exemplos do Titãs porque é um grupo bem conhecido e você possivelmente já cantou essas canções (e outras que são tão chulas que nem me atrevo a escrever a letra aqui), como eu mesmo já cantei milhares de vezes antes de Jesus me converter, fui a shows, comprei os CDs. Só que aí somos salvos, o Espírito Santo passa a habitar em nós e começa a nos convencer do pecado, da justiça e do juízo. E você, que é salvo, sabe como essas coisas nos incomodam, não é? 

Aí você começa a ouvir as MENSAGENS que grupos como os Titãs passam em músicas como essas (e olha que só citei três, hein) e algo faz um clique no teu espírito sobre esse papo “careta”, “radical”, “ortodoxo” e “fundamentalista” de “não ouvir música do mundo”.

Mas, para não ficarmos falando somente de uma banda, deixe-me pegar apenas um outro exemplo de um universo de grupos e cantores que poderiam pegar: o conhecido Barão Vermelho. Seleciono uma música que tem um título bem sugestivo e que era a minha preferida deles antes de Jesus me justificar, chamada Nunca existiu pecado. Reproduzo as 3 primeiras estrofes:

A rapidez velha do tempo
Revive inquisições fatais

Um novo ciclo de revoltas

E preconceitos sexuais

Por mais liberdade que eu anseie
Esbarro em repressões fascistas

Mas tô a margem disso tudo

Desse mundo escuro e sujo

Não tenho medo de amar
Pra mim nunca existiu pecado

Essa vida é uma só

Nesse buraco negro eu não caio.


Ou seja, Barão Vermelho está defendendo por meio da mensagem dessa letra que:
 
1. Não existe pecado;
2. O Cristianismo é sexualmente preconceituoso;
3. A ética de Cristo é uma “repressão fascista” porque contraria aquilo que o pecador deseja fazer;
4. Quem afirma que existe pecado (obviamente nós, cristãos) representa um “mundo escuro e sujo”;
5. A defesa da ideia de que existe pecado é um “buraco negro”.
.
Agora me diga você: em sua opinião, a letra dessa música contraria o Evangelho, se opõe aos ensinos de Jesus, leva ao coração mensagens que batem de frente com a ética de Cristo, com as boas-novas do Reino de Deusou não? Se a sua resposta foi “sim”, então essa é uma música “do mundo”. Portanto, chegamos aqui à grande conclusão: segundo os padrões bíblicos, “música do mundo” NÃO é sinônimo de “música secular”. Logo, as músicas do mundo sim, devemos evitar. As seculares, não necessariamente.
.
Fato 3) Não existe um estilo musical chamado “música evangélica”
O que existe é música feita a partir de realidades bíblicas. E que podem ser feitas em diferentes estilos. “Vem com Josué lutar em Jericó…”, por exemplo, é rock. “Aquele que tem sede busca beber da agua que Cristo dá…” por sua vez, é axé. Cassiane em geral tem muito forró. E por aí vai. Logo, não existe nenhum estilo “maldito” ou, como diz um amigo meu, “não existe dó maior ungido e sol sustenido endemoninhado”. Se você for analisar com cuidado, verá que “música evangélica” no imaginário popular é:


● Música cantada em igreja;
● Música cantada por cantor que frequenta igreja (dito “cantor evangélico”);
● Música gravada por grupo de louvor de igreja;
● Música que toca em rádio “evangélica”;
● Música lançada por gravadora “evangélica”;
● Música que consta em algum hinário tradicional.


Só que, desses itens, alguns são muito duvidosos. Das músicas cantadas em igrejas, muitas carregam em si heresias e são músicas “do mundo” (calma, falaremos em detalhes sobre isso daqui a pouco). Eu conheço pessoalmente “cantores evangélicos” que vivem como pagãos, são pecadores, só estão atrás dos bens materiais que sua notoriedade pode lhes proporcionar. 

Conheço “grupos de louvor” que tocam pela fama e o dinheiro e não por um desejo real de louvar o Senhor. Sei que muitas “rádios evangélicas” só existem para gerar lucro e poder para seus donos, que por sua vez vivem vidas pecaminosas e totalmente fora do Evangelho.

Conheço os bastidores de certas “gravadoras evangélicas” onde o ambiente é tão mundano que nenhum funcionário confia em sair pra almoçar e deixar a bolsa em cima da mesa, pois ocorrem furtos ali dentro. E entenda: eu conheço. Não ouvi falar. Sei o que estou dizendo.
Portanto, dizer que só podemos ouvir “música evangélica” (se por “música evangélica” entendermos o que mencionamos acima) é uma afirmação cheia de buracos.
.
Fato 4) Fazer versões de músicas seculares com letras cristãs não é pecado
Pelo contrário, é uma prática muito, mas muito mais usual em nossos hinários do que você imagina. Uma enorme quantidade das músicas contidas em hinários como a Harpa Cristã e o Cantor Cristão, por exemplo, originalmente eram canções entoadas em prostíbulos (não vou dizer quais para que da próxima vez que você for cantá-las não as considere indignas). 


Os músicos que tocavam nessas casas de pecado se convertiam, pegavam as melodias que conheciam (muitas das tinham letras originais que falavam sobre encher a cara de uísque e vinho, além de coisas similares), punham letras cristãs e passavam a cantá-las durante os cultos, nas igrejas. Isso é histórico, basta você estudar um pouco sobre isso que vai comprovar, não estou inventando nada disso.

E não só músicas de bordel. Músicas seculares de outras linhas também. O hino 185 da Harpa Cristã, por exemplo, é o Hino Nacional da Inglaterra com uma letra cristã: “Vem tu, ó Rei dos reis, buscar os teus fiéis…“. Já o conhecido hino “Os guerreiros se preparam para a batalha…” é o Hino Nacional das Ilhas Fiji, você sabia? O tradicionalíssimo hino “Vencendo vem Jesus” (Glória, glória. Aleluuuuuia!) é uma versão de uma música militar da época da guerra civil americana chamada “John Brown”s Body”, que exaltava os esforços de um homem na guerra. 

Um mulher cristã ouviu a melodia, gostou e pôs um letra cristã. E, a partir daí, começamos a cantar em nossas igrejas, Deus sempre foi louvado maravilhosamente por intermédio dessa canção, a entoamos ainda hoje e o religare do homem com o Criador ocorre perfeitamente – apesar da origem pagã da música. Ou você achava que essa música desceu do céu trazida por um anjo numa bandeja de prata? Não, muitas músicas que consideramos “hinos sagrados” (e são!!!) têm origem secular e são adaptações feitas para o canto religioso.

Mais recentemente há exemplos como o do cantor Marco Aurélio, que gravou “Caminhada” (“Eu vi Jesus, Jesus me viu, no mesmo instante me redimiu…“). Ela nada mais é do que a canção “My Way”, cantada por músicos como Frank Sinatra e Elvis Presley. E por aí vai. A pergunta é: essas versões deixam de ser válidas ou dignas de serem cantadas em cultos e igrejas como hinos congregacionais porque originalmente eram seculares? De jeito nenhum. Pois tornaram-se músicas com MENSAGENS cristãs.

Fato 5) Muita música dita “evangélica” é “do mundo”
E aqui chegamos ao ponto mais polêmico de todos. Só porque uma música foi composta ou é cantada por alguém que se apresenta como cristão isso não quer dizer que ela transmita valores biblicamente corretos. Há muitas e muitas músicas “evangélicas” que são “do mundo”. Exemplo: tem um conhecido grupo gospel (que inclusive saiu brigado de sua igreja) cujo vocalista (que agora já saiu da banda para seguir carreira solo) na “ministração” antes de começar uma de suas mais cantadas músicas em igrejas fala como se estivesse orando a seguinte frase (está registrada inclusive no CD):


- Nós queremos um romance contigo, Senhor.
Peraí. “Romance” com Deus? O Todo-Poderoso Criador dos Céus e da Terra agora virou o quê? Nosso namoradinho? Desculpem-me, mas isso é antibíblico e, logo, mundano.
Outro exemplo: um conhecido corinho cantado em muitos louvores, às lágrimas, por muitos de nós, diz a seguinte coisa:

Diante dEle se dobram os reis
E se prostram para O adorar

Nem os anjos que O cercam louvando

Se permitem sua face olhar


Só tem um detalhe: essa letra é antibíblica. Mateus 18.10 diz: “Cuidado para não desprezarem um só destes pequeninos! Pois eu lhes digo que os anjos deles nos céus estão sempre vendo a face de meu Pai celeste”. Então temos que decidir se os anjos contemplam a face de Deus ou não. Eu fico com a Bíblia, que diz que sim, os anjos contemplam a face de Deus, ao contrário do corinho.

 E se o corinho diz algo que vai contra o que está na Bíblia, desculpem, é “música do mundo”. “Ah, Zágari, você está sendo radical, o resto da música é perfeito , afinal, é um louvor tão bonito…”, alguém poderia dizer. Bem, aí entram 1 Co 5.6 e Gl 5.9, que dizem que, biblicamente, um pouco de fermento leveda toda a massa. Nesse sentido sou radical sim: basta uma única e pequena heresia na letra de um “corinho”, de um “hino” ou de um “louvor” (como você preferir chamar) para o descartarmos dos nossos cultos.

Isso sem falar dos chamados “corinhos do fogo”, muito habituais nas igrejas pentecostais não-reformadas. Tem um que diz “O fogo santo está queimando, o Espírito Santo está batizando“, referindo-se ao que os pentecostais chamam de “batismo no Espírito Santo” e os tradicionais de “plenitude do Espírito”, seguindo a linha defendida por teólogos como John Stott. 

Fato é que, biblicamente, o responsável por esse fenômeno é Jesus, o Deus Filho, e não o Espírito Santo. Outro ensino antibíblico e, portanto, “do mundo”.
Fato é que toda letra de cânticos (congregacionais ou não) “evangélicos” deve ser submetida ao crivo bíblico. O certo não é o que a pessoa sente, se ela fica emocionada, arrepiada ou se chora: o certo é o que está de acordo com a Bíblia.  

Como afirmou o Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho em palestra durante um Encontro de Músicos, na PIB de Manaus, “Raramente se fala de Jesus, e, quando se fala, dá para notar que Jesus é muito mais um conceito para dentro do qual as pessoas projetam seus sonhos de consumo ou de classe média do que o Redentor e Salvador. 

A linguagem é horrorosa: mergulhar nos teus rios, beber nos teus rios, voar nas asas do Espírito, estar apaixonado por Jesus, subir acima dos querubins… uma série de expressões que não fazem sentido algum”, afirmou Pr. Isaltino. E, convenhamos, com toda razão.

Cantamos na igreja sem saber o que estamos cantando, por ignorância teológica e porque determinada música toca na rádio, é de um grupo famoso, está na moda e o povo gosta.  Por exemplo, no “corinho” abaixo…

Quero subir ao Monte santo de Sião
E entoar o novo cântico ao meu Deus

Mais que palavras minha vida eu quero entregar

Purifica o meu coração para entrar em Tua presença

contemplar a Tua grandeza


…o que as pessoas não sabem por desconhecimento bíblico é que o “monte santo de Sião”, segundo Hebreus 12.22-24, é um símbolo do Evangelho, da Igreja de Deus. Consequentemente, todo cristão já está no “monte santo de Sião”. E, por isso, não há teologicamente, segundo o Novo Testamento, por que “subir” nele. Mais um equívoco bíblico. Também cantamos em nossas igrejas:

Eu só quero Te amar,
Eu só quero ver Tua face

Quero Tocar Seu coração

Eu só quero Te amar,

Eu só quero ver Tua face



O mesmo cantor tem outro corinho que diz:

Quero te ver, quero te ver
Eu quero te tocar,

eu quero te abraçar

Quero te ver


Detalhe: é importante repararmos que o cantor está dizendo que quer ver Deus e sua face EM VIDA e não no porvir. Só que se nós formos ler Êxodo 33.20, é claríssimo e inequívoco o que Deus diz a Moisés: “Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá”. 

Então o que estamos pedindo nesses corinhos é para ver a face de Deus e morrer? Algo está biblicamente errado e, se formos analisar, estamos fazendo pedidos mundanos a Deus. Como eu “quero te ver” se Ele diz na Biblia que “homem nenhum verá a minha face , e viverá”? Instinto suicida?

Em João 12.45 e João 14.9 Jesus afirma claramente a forma de ver o Pai: ver a Ele próprio, Jesus. “Quem me vê a mim vê o Pai”. Logo, é buscando Cristo e sua pessoa em espírito que temos acesso a Deus, não tem nada a ver com “eu só quero ver a tua face”. 

No discurso de Pedro no dia de Pentecostes em At 2.28, ele deixa claro que contemplar Deus face a face só ocorrerá na eternidade: “Com a tua face me encherás de júbilo”. A face de Deus é biblicamente inalcançável nesta vida. Logo, por que ficamos cantando pedindo para”ver sua face”, já que isso biblicamente não é possível – logo, é antibíblico? Pronto, não me odeie por dizer isso, mas a falta de canonicidade nessas afirmações de corinho tornam músicas como essas…músicas “do mundo”.

Conclusão

Falar sobe música “evangélica”, “do mundo”, “sacra”, “cristã” ou “secular” é um assunto muito sensível. Pois mexe com muitas ideias pré-concebidas, com muitas práticas que mutidões adotaram por décadas em sua vida de devoção, é contrariar crenças e práticas. Para um pastor, chegar à concusão de que um corinho que ele cantou por anos em sua igreja é música “do mundo” e, assim, removê-lo do rol de canções que são executadas no culto não é uma tarefa fácil. 

Exige oração, humildade e temor sincero a Deus. Para uma ovelha que anatemizou durante anos músicas seculares achando que “rock é coisa do diabo” e de repente descobrir que bandas de “rock gospel” como Oficina G3 têm letras e mensagens muito mais bíblicas do que certos hinos de 200 anos de idade exige quebrantamento.

Não estou falando aqui de estilo musical.
 Pois a Bíblia não fala de estilo. Logo, estilo é um assunto restrito aos gostos pessoais e não tem a ver com doutrinas e teologia. Se uma música deve ter bateria ou não, se ela pode ser acelerada ou não, se é rock, forró, bolero, valsa ou o que for, não importa. Simplesmente porque biblicamente não importa. O tal gênero “música evangélica” não existe. 

Cada “música evangélica” carrega um estilo próprio, seja esses que já mecionei, seja algum diferente, como black music, hip hop, blues, bossa nova, sertanejo, jazz, new wave, pop, reggae, samba, ska ou qual for. Dizer que “música tal não é do mundo porque é estilo evangélico e não rock” é uma inverdade. Pois há músicas evangélicas que são rock. E – repetindo – estilo musical só depende de uma única coisa: gosto pessoal. Não tem nada a ver com Bíblia. Se estou errado, por favor que alguém me prove nas Sagradas Escrituras.

Sendo assim, nós temos de nos voltar para o que interessa: a MENSAGEM. A pergunta que devo sempre me fazer é “o que essa música está dizendo contraria algo da Bíblia?“. Se a resposta for “não”, defendo que é uma música que pode ser ouvida por um cristão. Pois vai trazer alegria, paz, prazer. Sendo ela secular ou religiosa. Ouvir Mozart, Bach, Haendel, Mendelssohn ou uma boa ária de ópera, por exemplo, pode acalmar a alma de alguém em estresse e assim criar uma condição em seu coração que lhe permitirá orar a Deus com muito mais entrega. Eu já entrei muitas vezes na presença de Deus ouvindo o violinista judeu Itzhak Perlman executar ao violino o tema do filme “A Lista de Schindler”, por exemplo. 

Chorei. Me derramei. E fui muito mais sincero e entregue a Deus do que se tivesse posto para ouvir um desses CDs de pop brega evangélico.
A ao fazermos a pergunta “o que essa música está dizendo contraria algo da Bíblia?” temos de estar preparados para sofrer. Pois vamos perceber que muito do que cantamos em nossas igrejas é música “do mundo” pela simples razão de que afirma coisas que a Bíblia não diz.
Sei que o que aqui escrevi contraria a crença de muitos. 

Certa vez, ao ministrar numa Escola Dominical uma aluna ficou tão ofendida pela verdade que falei de que hinos da Harpa Cristã vinham de bordéis que se levantou e se retirou da sala. Sei que isso mexe com convicções e emoções. Mas não posso jamais fugir do que as Sagradas Escrituras dizem. 

 Não podemos fugir da verdade. São as Escrituras que devem sempre nos nortear – e não aquilo que ficou estabelecido pela cultura popular (em especial a cultura popular evangélica) ao longo das décadas. E falo como evangélico, não sou desses pastores e teólogos revoltados que inventaram agora que ser “evangélico” é palavrão. Nada disso. Falo como filho da Reforma Protestante, herdeiro de Jesus e também de reformadores como Lutero e Calvino.

 Não renego minhas origens. Sou cristão, de tradição evangélica e me orgulho disso.
Para terminar, volto ao início de nosso texto, para a pergunta-título deste artigo. Se você me perguntar “um cristão deve ouvir música do mundo?”, eu vou voltar a afirmar: “Claro que não!”. Pois o cristão deve sempre caminhar de acordo com as Sagradas Escrituras. E se uma música, secular ou religiosa, traz em si ensinamentos antibíblicos… meu irmão, minha irmã, jogue o CD fora.
Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Veja o texto original em: Apenas

Os Erros dos Clichês Cristãos Pós-Modernos.

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Por Mauricio Zágari


Vivemos a era das frases curtas. De repente a nossa fé pulou no imaginário de uma enorme parcela da Igreja brasileira da Bíblia e dos livros para adesivos de automóvel, 140 caracteres do twitter, fotos com frasezinhas do Facebook, slideshows no YouTube, blogs com três ou quatro parágrafos. Preguiçosos que somos, passamos a ser governados por teologia fast food em vez de por leituras com introdução, desenvolvimento e conclusão. Ao longo de algum tempo, fiz uma coletânea de clichês gospel que ouço pelos arraiais evangélicos (das igrejas organizadas aos desigrejados) para que possamos comentar cada um. Leia e veja se você já não ouviu essas frases serem repetidas montes de vezes - sem que aqueles que as falam tenham gasto cinco minutos refletindo sobre seu significado. Vamos analisá-los biblicamente e historicamente:

- "Eu declaro/decreto a bênção" - Bênçãos são benefícios vindos unilateralmente de Deus e por decisão soberana dEle. Ninguém pode declarar ou decretar uma bênção, pois está fazendo aquilo que só o Senhor pode fazer. Quem o faz toma o lugar de Deus e, portanto, pratica idolatria. Sem falar que essa afirmação, fruto da chamada "Confissão Positiva", tem raízes em religiões demoníacas de Nova Era (saiba mais sobre isso no post Demonologia da Prosperidade).

- "Eu tomo posse da bênção" - "tomar posse" significa literalmente se apossar de algo que não é seu. Quem "toma posse" é um posseiro, ou seja, alguém que invadiu um local que não lhe pertence e impõe pela força e presença o domínio sobre o que é dos outros. Como vimos acima, bênção é um benefício outorgado por Deus, por sua soberania. Quem quer "tomar posse" de uma bênção está dizendo, em outras palavras, que vai arrancar do Senhor na marra aquilo que quer para si e que só receberia se fosse concedido pelo Todo-Poderoso. Logo, essa frase, (cunhada com base no Antigo Testamento, quando o povo de Israel entrou na Terra Prometida e teve de "tomar posse" dela na base da briga, visto que era habitada por outros povos) é uma afronta à vontade soberana de Deus, que concede bênçãos a cada um conforme lhe apraz e não porque as tomamos dele à força.

- "Tá amarrado" - parte do princípio de que podemos atar demônios com amarras espirituais. Não existe tal expressão na Bíblia e o que as Escrituras nos ensinam a fazer com os demônios é expulsá-los imediatamente quando se manifestam, e não amarrá-los. Não vemos nenhum exemplo bíblico de Jesus ou os apóstolos "amarrando" demônios. O padrão bíblico é: "Cala-te e sai". Jesus não perdia tempo dialogando com demônios, apenas os mandava ficar quietos e então os expulsava. O único episódio de possessão em que Jesus vai além do "cala-te e sai" é o do gadareno. E, mesmo assim, a ordem de Cristo não é amarrar ninguém, mas sair na hora da pobre alma atormentada.

- "Temos que voltar ao modelo da Igreja primitiva" - se fizermos isso, estamos lascados. A Igreja primitiva, ao contrário do que existe no imaginário popular cristão, estava a anos-luz da perfeição. Em Atos lemos casos como os de Ananias e Safira, discordâncias com os judaizantes, brigas internas entre crentes como Paulo e Pedro, duplas missionárias sendo divididas por discordâncias. A esmagadora maioria das epístolas do NT foi escrita para consertar as montanhas de erros que os primeiros cristãos cometiam. Na Ceia do Senhor muitos iam só para matar a fome e os que levavam mais não dividiam com quem não tinha posses. Se lemos as sete cartas às igrejas de Apocalipse vemos como a maioria estava distante da vontade de Deus. Nos 313 anos em que houve perseguição do Império Romano aos cristãos, surgiu o fenômeno dos "lapsi", aqueles que, ao contrário dos mártires, negavam Jesus perante as autoridades para salvar suas vidas - e não foram poucos os que fizeram isso. Nas catacumbas, que eram essencialmente cemitérios subterrâneos, os cristãos mais ricos tinham direito a sepulturas mais luxuosas que os pobres e, muitas vezes, ganhavam câmaras inteiras exclusvas para suas famílias. Havia muitos privilégios concedidos aos abastados na Igreja primitiva.

Além disso, a Igreja primitiva foi assolada por montes e montes de heresias que surgiram em seu seio, como gnosticismo, sabelianismo, modalismo, monofisismo, eutiquianismo, pelagianismo, marcionismo, ebionismo e outros "ismos" que denunciam como ela era dividida, como havia desacordos, divergências de visão e rachas. Tudo isso mostra que retomar o modelo da Igreja primitiva não é viver um Evangelho puro e simples, como muitos pensam, é voltar a uma época cheia de enormes poluições, divisões, pecados e problemas no seio do Corpo de Cristo. Igualzinho aos nossos dias.

- "Os primeiros cristãos se reuniam em lares e não em templos, por isso devemos voltar a esse modelo" - os primeiros cristãos, aqueles cheios de imperfeições que vimos acima, só se reuniam em lares por uma única razão: como por 313 anos o cristianismo foi considerada uma religião criminosa pelo Império Romano, qualquer um que se confessasse cristão tinha seus bens tomados, era preso, torturado e morto. Por isso, o culto a Jesus tinha de ser feito de modo escondido. O único lugar onde havia um mínimo de privacidade eram os lares dos cristãos, que podiam simular uma visita social e ali realizavam suas liturgias. Mas, com o Edito de Milão, no ano 313, decreto que liberou a religião cristã, imediatamente os que se ocultavam, ávidos por comungar com mais irmãos, começaram a erguer templos onde pudessem se ajuntar e reverenciar o Senhor coletivamente. Em pouco tempo, graças à liberdade religiosa, o culto em lares tinha sido extinto.

Para fazer um paralelo com nossos dias, é só ver o caso da China, por exemplo, onde não se pode cultuar Jesus publicamente e por isso lá existe a chamada "igreja subterrânea", ou seja, os irmãos são obrigados a se reunir em pequenos grupos, nos porões de suas casas, para cultuar Jesus em oculto. Se você perguntar a um membro desses grupos em lares se eles preferem esse tipo de modelo ou se gostariam de ter templos onde se reunir em maior quantidade e celebrar a liturgia da adoração com muito mais irmãos (como eu já fiz, em entrevistas com membros da Igreja subterrânea chinesa para reportagens que escrevi), verá que TODOS eles dão preferência ao ajuntamento em santuários, onde poderiam comungar em maior número, num local dedicado e visível, que servisse de referência para os não cristãos em sofrimentos saberem que ali podem encontrar ajuda. Uma reunião num lar dificilmente será encontrada por quem está vivendo aflições que só Deus pode aliviar, o que não ocorre se você tem um templo bem visível.

- "Jesus não criou uma religião" - a palavra "religião" vem do latim "religare" e significa "ligar duas partes separadas". Portanto, em sua essência, religião cristã é o contato entre Cristo e o homem, é o "religare" entre o Pai e o filho. Religião, assim, é relacionamento, é intimidade. Logo, quando ora você pratica religião. Quando lê a Bíblia você pratica religião. Etimologicamente, qualquer pessoa que se liga a Deus é um religioso sim senhor, pois pratica o "religare". Portanto, ao ensinar a oração do Pai Nosso, Jesus nos estava ensinando a ser religiosos, no sentido de sabermos nos comunicar bem com o Pai. Quando ouvimos "pedis e nada recebeis pois pedis mal", o que está sendo dito é "você está praticando mal a sua religião". É claro que, como muitas palavras da língua portuguesa (como "manga", que pode ser a fruta ou uma parte de uma blusa), o termo "religião" pode ter o significado de "prática organizada de uma fé", basta ver no dicionário. É a "famigerada" instituição. Em geral é nessa acepção que a frase em questão é dita. Nesse sentido, quando Jesus diz a Pedro que sobre Ele (a Pedra) seria erguida Sua Igreja, o Mestre está estabecendo-se como o alicerce, o fundamento da fé que se seguiria pelos milênios a seguir. Só que Ele em nenhuma passagem da Bíblia especifica como o homem deveria manter o Corpo sobre esse fundamento. Isso é uma decisão que Jesus deixou a cargo do homem. Fato é que se Jesus nunca instituiu uma organização religiosa que o tivesse como alicerce, também nunca proibiu. Repare que o que Jesus critica, por exemplo, nos maus fariseus em momento algum é sua organização ou o fato de cultuarem Deus de modo institucional, sua crítica a eles era uma questão do indivíduo, do coração, e não da instituição: a hipocrisia, a falsa aparência de piedade, a religiosidade aparente sem um "religare" autêntico, sempre questões de foro pessoal e nunca institucional.

- "Jesus nunca construiu templos, por isso devemos nos reunir em lares" - se Jesus nunca construiu templos, também nuca construiu casas. Por esse argumento, se não devemos adorá-lo em templos institucionais também não poderíamos adorá-lo em lares. Dá na mesma. A resposta e a solução para essa pendenga de se podemos ou não cultuar Jesus em templos está em duas passagens bíblicas. Em João 4.19ss, lemos o diálogo entre o Mestre e a samaritana: "Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta. Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade". Eis a primeira resposta: seja no templo, num lar, no monte ou em Jerusalém, importa adorar em espírito e em verdade. Se é o que a pessoa faz, não se pode condenar o local só porque Jesus nunca construiu um edifício.

Temos que lembrar que os discípulos adoraram muitas vezes o Senhor na cadeia. E Jesus também nunca construiu uma cadeia. Outra passagem reveladora que contradiz essa frase incoerente está nas palavras de Jesus relatadas em Mateus 18.20: "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles". Se houver dois ou três reunidos em nome de Jesus num templo de uma igreja institucional Ele ali não estará? Se houver dois ou três reunidos em nome de Jesus num templo do tipo que Jesus nunca ergueu Ele não se fará presente? A resposta é óbvia. Então o fato de Jesus nunca ter construído um templo, uma igreja ou uma catedral é absolutamente irrelevante, desde que haja ali dois ou três reunidos em Seu nome e o adorando em espírito e em verdade. Quem perde tempo combatendo isso e advogando furiosamente a reunião em lares só está perdendo tempo.

- "Não cai uma folha da árvore se Deus não deixar" - embora faça sentido biblicamente, visto que Deus é soberano e controla tudo o que ocorre no universo, sejam fatos bons ou tragédias, essa frase não está em nenhum lugar da Bíblia.

- "Sou cristão, não evangélico" - essa frase é fruto da vergonha de ser designado pela mesma nomenclatura de igrejas e pastores que têm enlameado o bom nome da Igreja evangélica. Então, para evitar ser associados por amigos e parentes a esses grupos, muitos têm optado por se dizer apenas "cristãos" e repudiam enfaticamente o nome "evangélico". Mais do que deixar de ser evangélicos, se tornam antievangélicos. Isso é nonsense, pelo simples fato que não resolve nada. Os que enlameiam nosso nome também se dizem "cristãos". Pela mesma lógica, deveríamos abandonar esse termo também? A resposta é óbvia. Etimologicamente, "evangélico" é o que segue o Evangelho de Jesus. Historicamente, "evangélico" é o que segue o Evangelho conforme resgatado pela Reforma Protestante. Logo, se você é cristão, professa o Evangelho de Cristo e coaduna com os cinco "solas" da Reforma... você é evangélico, queira ou não. É uma nomenclatura de 500 anos que define quem tem essas características. Renegar isso é dizer que você não é o que você é. Portanto, em vez de dizer "não sou o que sou, sou só cristão" por vergonha de ser associado a igrejas e pastores dos quais se envergonha, o ideal é deixar claro para os de fora que nós somos sim evangélicos, enquanto os que praticam atrocidades em nome da fé é que não são.

Se alguém faz piadinha pelo fato de você ser evangélico, em vez de mudar sua nomenclatura aproveite a oportunidade e explique para o piadista a razão de você portar esse honroso nome, fale que evangélico significa "aquele que segue o Evangelho de Cristo conforme resgatado pelos reformadores", explique por que os falsos cristãos não são evangélicos e aproveite para explicar o que são as boas-novas da salvação do genuíno Evangelho de Cristo. Assim, ser humilhado por ser evangélico é uma excelente oportunidade não de mudar por vergonha o que te define, mas sim de explicar aos não cristãos o que é o Evangelho da salvação. De e-van-ge-li-zar. A escolha é sua.

- "Deus é amor e por isso não controla as tragédias nem desastres naturais, como os tsunamis" -essa heresia teológica vem sendo pregada por um pequeno grupo que segue a linha do Teísmo Aberto americano, uma linha de pensamento que no Brasil foi chamada por um pastor evangélico que não se diz evangélico de Teologia Relacional. Ele e mais um punhado de pastores e acadêmicos celebrados nas mídias sociais (além de um grupinho de pessoas que tentam pegar carona em suas celebridades para se promover) começaram a propagar essas ideias pelas redes sociais, dizendo que Deus abriu mão de sua soberania e não controla as tragédias que ocorrem no mundo. Segundo essa heresia, Deus só está preocupado em relacionamentos e o conceito de Jeová controlando as forças da natureza seria fruto da incorporação de valores da filosofia e da religião grega no Cristianismo. Esquecem que Deus abriu o Mar Vermelho e o Rio Jordão, que Jesus acalmou a tempestade, que o Sol "parou" e retrocedeu, que houve um terremoto no momento em que Jesus entregou o seu Espirito... para essa heresia tudo isso são metáforas, o que associa esse pensamento à diabólica Teologia Liberal de Bultmann e outros teólogos - segundo a qual a Bíblia não é literal e muitos de seus relatos são apenas fábulas. Ao propagar essa afirmação, os adeptos da Teologia Relacional destituem Deus daquilo que é indissociável de Sua essência: Seu poder absoluto sobre todas as coisas e Sua soberania sobre tudo o que ocorre no universo. É, portanto, uma afirmação antibíblica e anticristã.

- "Padussinhô" - cumprimento que originalmente tinha um significado muito bonito e bíblico: "A paz do Senhor". O problema é que a expressão de popularizou de tal forma que as pessoas nem pensam mais no significado do termo. Passam umas pelas outras no corredor da igreja e soltam um "Padussinhô" sem nem se tocar do profundo significado da expressão. Da próxima vez que você for saudar alguém com essas palavras, concentre-se em seu belo significado: que você está desejando a aquele irmão a paz que excede todo o entendimento vinda do Príncipe da Paz, que saudava seus amigos desejando exatamente a mesma coisa. Lembra das palavras do Mestre ao chegar, ressurreto, entre os discípulos, por exemplo, em Lucas 24? "Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco!". Não deixemos uma saudação tão significativa perder seu sentido: ao a falarmos, que de fato estejamos desejando paz a aquela pessoa. Só um porém: você já parou para pensar o que exatamente significa "paz"? Significa "Quietação de ânimo, sossego, tranquilidade, ausência de dissensões, boa harmonia, concórdia, reconciliação". Vale a pena investir um tempo meditando sobre cada um desses valores que dedicamos aos irmãos.

- "Temos que contextualizar o Evangelho à cultura de cada época e sociedade" - a afirmação em si é correta, isso é exatamente o que temos de fazer. Não adianta pregarmos o Evangelho no século 21 de túnica e sandália de couro. O problema é que alguns setores da Igreja têm levado essa ideia correta além no limite de segurança. Têm conduzido esse conceito ad absurdum. Com isso, tentam com tanta força e ímpeto falar a linguagem de nossos tempos para atrair o mundo que acabam muitas vezes sendo mais mundo que Igreja. É o que ocorre, principalmente, entre a chamada Igreja emergente: os próprios pastores acabam cometendo excessos e absurdos como pregar falando palavrões de púlpito e recomendar a ida a seus membros a shows de artistas com letras anticristãs e estéticas agressivas, como Ozzy Osbourne e Titãs (grupo que tem canções altamente antibíblicas, como "Igreja", "Homem Primata" e "Epitáfio"). É preciso muita cautela. Pois nunca podemos esquecer que o Evangelho é, sempre foi e sempre será escândalo para os que não creem e que é contracultura. Isso em qualquer época e em qualquer cultura.

- "Fala, Deus" - geralmente é dito quando um pregador diz algo que o irmão ou a irmã acham que deveria ser ouvido por alguém da igreja ou por toda a congregação. É uma espécie de "toma, desgraçado, que Deus tá dizendo aquilo que eu penso que você deveria ouvir". Na maioria das vezes não é dito com amor no coração e, por isso, é algo reprovável. A não ser que a exortação seja para si mesmo. Aí... fala, Deus!

- "Eis que eu te digo..." - nos arraiais pentecostais significa que está começando uma profecia da parte de Deus. Nada contra. Sou pentecostal e creio na atualidade dos dons. O problema é que ser "profeta" dá status entre os irmãos, como se a pessoa que profetiza fosse merecedora de um amor especial da parte de Deus. Por isso, não são poucas as pessoas que simulam profecias e, com isso, cometem o gravíssimo pecado de pôr nos lábios do Senhor o que Ele não falou. Sem falar do estrago causado junto à pessoa a quem a falsa profecia foi dirigida, que vai acreditar que Deus lhe deu algum direcionamento que na verdade não deu. Assim, antes de dizer "eis que eu te digo"... trema!

- "Em nome de Jesus" - a expressão é bíblica e o Mestre nos autorizou a usá-la. A questão é que muitos a estão usando com significados que não deveriam ter, como se fosse um "abracadabra". Como disse Walter McAlister no livro "O Fim de uma Era", tem sido usada com o sentido de "tem que dar certo". "Eu vou conseguir esse emprego em nome de Jesus". "Você vai namorar fulano, em nome de Jesus". "O liquidificador vai funcionar agora, em nome de Jesus". Na verdade, qual é o significado bíblico dessa expressão? Quando alguém permite que outra pessoa faça algo em seu nome, está lhe concedendo a autoridade pessoal que detém. Por exemplo, se um soldado raso chega a um capitão e lhe diz para preparar um automóvel o capitão não lhe obedecerá, pois o soldado não tem autoridade de solicitar isso a um superior. Mas se um general diz a um soldado raso: "Vá até o capitão em meu nome e lhe diga para preparar um automóvel", aquele soldado acabou de receber a autoridade que o general tem sobre o capitão para aquela tarefa especifica. Então ele pode chegar ao capitão e dizer: "Estou vindo em nome do general solicitar que prepare o carro" e o capitão obedecerá o soldado porque o pedido é segundo a autoridade do general. Em nome dele. Com Jesus é igual. Os homens não têm autoridade de expulsar demônios. Mas quando você expulsa "em nome de Jesus", é a autoridade que nos foi concedida por Deus que está realizando aquele feito. Do mesmo modo, ser humano algum tem poder em si para curar uma doença sem ser por meios médicos. Mas se você ora "em nome de Jesus" pela cura, é a capacidade milagrosa de curar que Jesus tem e que nos foi concedida que está atuando. Ou seja, a forma correta de usarmos essa expressão é somente quando podemos substitui-la por "segundo a autoridade de Jesus concedida a mim para este fim".

- "Jesus não criou hierarquias nem liturgias" - errado. Basta você ver que no céu existem anjos e arcanjos. O prefixo "arc" significa "o principal", "o primeiro", "o de maior autoridade". Por isso, arcebispo é o principal dos bispos. Do mesmo modo, fica claro que no reino celestial o arcanjo tem um papel hierarquicamente superior a um anjo. Esse princípio do mundo espiritual também é aplicado na terra. A Bíblia manda respeitarmos as autoridades e diz que nenhuma autoridade há que não tenha sido constituída por Deus. Também manda servos obedecerem seus senhores. Afirma à mulher que deve ser submissa ao marido. Ou seja, em todas as instâncias da vida humana - seja política, profissional ou familiar - as Escrituras deixam claro que há uma hierarquia. Seria de se estranhar muito que justamente na vida espiritual isso não ocorresse. A Bíblia deixa claro que havia na Igreja do primeiro século pessoas com cargos de supervisão (o "bispo", conforme mencionado nas epístolas a Tito e Timóteo. Os apóstolos tinham um papel de liderança, basta ver no episódio de Ananias e Safira e basta reparar como Paulo dá determinações às igrejas em suas epístolas. E aqui cabe uma observação: hierarquia não quer dizer que alguém é melhor do que outro ou mais especial. Simplesmente que desempenha uma função com maior poder de decisão. É como o capitão de um time de futebol: ele é igual aos demais, mas dentro de campo é quem dá as decisões. E, acima dele, está o técnico, que tem, inclusive, o poder de decidir substituir o capitão.

Já a liturgia fica clara quando Jesus institui a Ceia. É um cerimonial litúrgico por natureza: tem ordem, as etapas seguem uma ordem, há um modo de proceder, há a repetição da forma de fazer a cada vez que se celebra. A História conta que os encontros da Igreja no primeiro século seguiam uma liturgia não muito diferente dos cultos de hoje, com louvores cantados, a leitura das cartas ou textos considerados canônicos e uma exposição do Evangelho por quem liderava o encontro. Logo, hierarquia e liturgia não foram, como alguns equivocadamente afirmam, instituídos pelo imperador Constantino ao oficializar a fé cristã como religião oficial do Estado: são bem anteriores - no mínimo 200 anos anteriores.

- "Posso ser cristão em casa, sozinho, sem congregar" - esse é um erro vindo do desconhecimento sobre a essência de nossa fé. O Evangelho é, por essência, um estilo de vida coletivo. 1 Coríntios 12 deixa claro que somos um corpo. Um membro decepado de um corpo é uma anomalia grotesca. Jesus nunca propôs o isolamento como padrão e, mesmo quando se retirava para orar sozinho, levava consigo alguns de seus apóstolos. Portanto um cristão que não congrega está desobedecendo o padrão divino.

- "Não existe pecadinho ou pecadão" - existe sim. A partir do momento em que existe um pecado (a blasfêmia contra o Espirito Santo) que não tem perdão e que a Bíblia diz que há pecados que são para a morte e outros que não são (independente da interpretação que se dê a isso, há muitas: "Se alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. Toda a iniquidade é pecado, e há pecado que não é para morte" - 1 Jo 5.16,17.), automaticamente fica claro que há gradações. Só haver um pecado imperdoável já é prova disso. No sentido de que qualquer pecado é desobediência a Deus... naturalmente todo pecado é equivalente, mas isso não desmerece que em suas consequências há sim níveis. A Bíblia é clara quanto a isso.

- "Manto!" - essa só pentecostal entende. Se bem que eu sou pentecostal e até hoje não entendi isso.

Por enquanto é isso. Se você se lembrar de mais algum clichê dos nossos dias usado nas igrejas, entre desigrejados, entre tradicionais ou pentecostais...não importa, entre cristãos em geral, basta acrescentar nos comentários. Só peço uma coisa: explique por que aquela palavra, expressão ou frase está biblicamente incorreta. Apenas mencioná-la não vai acrescentar. Se for o caso, faremos uma apreciação em cima do seu comentário.

Quem sabe assim, parando para pensar sobre o que falamos sem pensar... paremos um pouco para pensar sobre o que falamos! E, talvez, seja o caso de eliminarmos certas frases feitas do nosso meio que parecem corretas mas na verdade só servem para confundir. Ou não servem para nada mesmo. Tão ligados na fiação, varão e varoa dos mantos de fogo?

Paz a todos vocês que estão em Cristo.
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Fonte: Apenas